10 lições para equilibrio entre varejo e fornecedores sustentáveis

Publicado originalmente em julho 2010

Empresas sustentáveis são um fenômeno novo no universo dos negócios, sua existência ainda é tênue e como outros fenômenos da natureza possuem seu tempo certo para frutificar em abundância. Entender e apoiar este momento exige comprometimento e firmeza de propósitos.

Grandes redes do varejo correram para se alinhar com as novas tendências de responsabilidade social e ambiental divulgando seus programas de sustentabilidade, mas o problema surge quando estes gigantes começam a se relacionar com pequenos fazendeiros, artesãos e micro-empresas sustentáveis.
Reunimos 10 lições para estas grandes empresas participarem desta “corrente do bem” adaptando suas práticas de negociação, seus contratos e promovendo uma mudança cultural em suas estruturas de compras, distribuição e marketing:
1. Merchandising orgânico.
Adapte sua estrutura de marketing para cultivar e fazer crescer as vendas destes produtos, destacando-os da concorrência tradicional, reservando um espaço especial para eles e gerando ações que transmitam seus valores e benefícios únicos.
2. Cuidado: Não contém conservantes
O consumidor final também é um elo desta corrente, o cuidado com a reposição de produtos perecíveis é a certeza da qualidade e garantia da manutenção de seus valores nutricionais e terapêuticos.
3. Não compare maças com laranjas
Os parceiros sustentáveis são diferentes dos outros fornecedores, as empresas sustentáveis precisam ir além da busca por lucros sempre maiores, suas operações cultivam outros valores e práticas, precisamos novos indicadores para comparar o giro e o retorno financeiro somando os outros benefícios destes negócios ao planeta e à imagem do comerciante.
4. Contratos diferenciados
Iniciativas sustentáveis precisam de contratos específicos, ficaria muito difícil para estas empresas cumprirem as mesmas condições de contratos criados para extrair o máximo de vantagens de poderosas holdings com várias marcas de sucesso comercial.
5. Relacionamento ganha x ganha
Temos que reconhecer que cada elo da corrente é interdependente e sua força vem da união. É uma simbiose comercial em equilíbrio. Todos estes elos buscam uma harmonia e um alinhamento de valores, integrar-se a esta cadeia de comércio mais justo e sustentável pede a adoção de regras e procedimentos baseados em princípios democráticos, ecológicos, cooperativos e grande dose de justiça econômica, onde pessoas, organizações e planeta ganham.
6. Crescimento com responsabilidade
Os produtos sustentáveis estão chegando ao mercado com fôlego para encarar um crescimento lento mas constante, é uma conquista diária, cada venda é uma vitória e mais um passo na construção deste novo  mercado.
7. Potencialize os negócios
Nas contas das empresas sustentáveis não costuma entrar custos de logística complexa, seguros e custos de marketing extravagantes. Grandes varejistas conseguem e poderiam negociar prazos e preços para otimizar os custos destes serviços para deixar que seus fornecedores sustentáveis concentrem recursos no foco dos seus produtos e serviços.
8. Invista no mercado futuro
O empreendimento sustentável não busca serviços financeiros para desconto de duplicatas, capital de giro e outras alavancas monetárias. Em um Brasil de juros imorais seria uma ótima ajuda pagar contra-entrega, em uma semana, 30 dias no máximo.
9. Se não puder ajudar, não atrapalhe
Negócios sustentáveis são sistemas comerciais que protegem o meio ambiente e as condições sociais enquanto promovem seu próprio crescimento de forma equilibrada. São empreendimentos com impacto positivo no meio ambiente, trazem benefícios para a comunidade, para a sociedade e para a economia, a cadeia comercial precisa garantir uma renda correta aos fornecedores de forma a promover a produção orgânica e eco-certificada por gerações.
10. Faça parte da Solução
Exija certificações de empresas idôneas e evite a todo custo utilizar expressões e divulgar iniciativas apenas para se aproveitar de uma “onda” ecológica, o caminho para conectar sua marca com os ideais e valores sustentáveis é pensar em formas autenticas de cooperar com soluções ambientalmente saudáveis com respeito aos direitos humanos e à cultura local.
As pessoas e o planeta agradecem!
Bibliografia:
European Commission Trade; Friends of the Earth International;
IISD – International Institute for Sustainable Development
Problema:
As grandes redes de varejo nacionais e internacionais buscam fornecedores sustentáveis de produtos e serviços, mas muitas vezes acabam prejudicando mais do que ajudando ao impor regras e condições de mercado.
Ação:
As grandes redes de varejo podem fazer um trabalho interno em suas áreas de compras, marketing, contábil, merchandising e logística a fim de aproveitar os pontos fortes dos produtos e serviços de fornecedores sustentáveis mas reconhecer suas fraquezas sob pena de causar mais prejuízos que benefícios ao contratar empresas sustentáveis.
Resultado:
Uma grande rede de varejo internacional estabelecida no Brasil, conhecida por sua prática de “apertar” seus fornecedores até o limite para conseguir melhores preços, reconheceu que um fornecedor específico não poderia ajudar a custear campanha de marketing para ajudar a promover seus produtos, também aceitou não utilizar os mesmos critérios de avaliação de resultado de vendas, e finalmente reverteu sua decisão de devolver um grande estoque para este pequeno fornecedor que provavelmente teria seu negócio arruinado.
Limitações:
É um trabalho de conscientização constante, e a difusão destes “manuais de práticas sustentáveis” é uma parte da solução, provavelmente a pressão de consumidores por tratamento justo a fornecedores sustentáveis será mais efetivo.

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